Eis que surge Cajoca

A partir de hoje vou documentar uma fase da minha vida um tanto gostosa, mas com um quê de esquizofrenia. Estou saindo de casa, para valer.

Essa frase dramática poderia ter sido dita à minha mãe, num momento de estopim do nosso relacionamento. Mas não, a decisão foi leve, e tomada com alegria tanto por mim, quanto pelas minhas coroas. Meu pai também se animou, apesar dos milhares de milhares de quilômetros de distância. Engraçado. O que era para nos distanciar, de certa forma, nos aproximou.

O veredito foi meu. O empurrãozinho nas costas, deles. E isso, ao invés de divergir, convergiu. Comecei a procurar os apartamentos sozinha. É difícil, viu? Que nem quando comprei o carro. Aliás, eu tive que o vender para conseguir manter o saldo da conta bancária positivo. Disso eu falo mais adiante. É muita informação!

Não entendo nada de paredes, encanação, parte elétrica. Não sei analisar nada relativo a engenharia e construção civil. Foi um tiro no escuro e me pautei na boa vontade alheia: do meu pai, meus cinegrafistas, do Jorge (o dono do boteco na frente da Band), dos corretores e proprietários. Triste coincidência ser todo o mundo do sexo masculino? Nem tanto. Resolver qualquer assunto de casa, carro e afins, pode se tornar bem problemático se você tiver cromossomo XX. Bom, falo disso em outro post, também.

Eu queria todos os apartamentos. Os mais bonitos, claro. Já imaginava toda a minha vida lá dentro. Mas… O budget era bem apertado. Inicialmente queria um apê em Ipanema. Uma amiga me deu um choque de realidade: “Joana, não delire”. Céus, a astrologia faz de mim uma cavaleira armada, cavalgando desenfreadamente em relação aos meus sonhos, de espada em punho tentando driblar qualquer obstáculo… Até o financeiro. É, eu não tenho dinheiro. Então, foquei em Botafogo. Do lado da emissora! Vou ter que aprender a gostar do bairro, afinal estou procurando qualidade de vida. Não aguento mais acordar às 4h da manhã e chegar em casa às 22h. Estou estafada aos 23 anos.

Assim foi. Uma das coisas das quais eu não abri mão foi da saleta. O meu apê precisava ter uma divisória legal. Conjugado não dá! Consegui um dentro do meu orçamento. Os proprietários, uns velhinhos, portugueses. Se apaixonaram por mim, pela minha mãe e pela minha avó.

~(Melhor arrumar um nome para as três, ficar nos enumerando toda a vez que preciso me referir a nós é cansativo. Será “A tríade”.)~

O sentimento foi recíproco, mútuo, verdadeiro, real. Que pessoas amorosas! Será que dá para incluí-los no apartamento? Podendo abater uns reais do aluguel eu cuido deles para todo o sempre.

Me deram um desconto (muito oportuno) e já fechamos negócio. O apê é uma coisinha linda. Do meu tamanho. Já tem nome: Cajoca. Surgiu de forma eunãoseicomo. Veio da cabeça da minha amiga Manu… Sempre a Manu. É alguma coisa proveniente da junção de Casoca com Jo. Tá bonito, né? Cajoca… Sintam-se em casa!

 

 

One Reply to “Eis que surge Cajoca”

  1. Que história deliciosa! Parabéns duplo (também pelo apê, claro!)… rsss

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