Elege-se o Não

O não-voto, no Rio de Janeiro, foi equivalente a mais de 2 milhões de votos. A conta é feita se somarmos as abstenções, os votos brancos e os votos nulos. O correto não é juntar tudo isso em número absoluto, mas é muito significativo.

Ainda se for subtraída a abstenção, o não comparecimento às urnas, a quantidade de cariocas que saiu de casa para invalidar o voto, é muito grande: mais de 20%.

Em coletiva, o Ministro do STF Gilmar Mendes disse acreditar que não se trata de uma forma de manifestação da população, mas o que vemos nas ruas é um pouco além disso.

O voto obrigatório, hoje em dia, já é quase um voto facultativo. Custa menos justificar o voto do que pagar o transporte até ao local da votação. E o ponto é esse: faltam motivos para a população se sentir motivada a sair de casa para se envolver com a política. Para uma grande fatia dos brasileiros, os ônus de não estar com a situação eleitoral quite, não são tão representativos. Para outros, sim, e esses não deixam de votar, evitando. A fatia que vota por livre e espontânea vontade, é muito menor. Agora imaginemos o número de comparecimentos às urnas se votar não fosse obrigatório.

Em primeiro lugar não há como exigir um envolvimento da população na política sem uma educação de qualidade no país. É óbvio. Política não é um assunto fácil, nem agradável, e no Brasil muito menos. Como se envolver com o tema se os jovens não são apresentados a ele adequadamente?

Em seguida, descontentamento com a política, que é nítido. Os candidatos têm apresentado propostas que não convém e nem convencem a população. Aqui no Rio de Janeiro, a eleição foi em grande parte marcada pela rejeição. Até há pouco tempo, o brasileiro, de forma geral, usava a obrigatoriedade do voto para votar por exclusão, ou seja, contra alguém. Descontente com os dois, que seja escolhido o menos pior. Hoje, nem isso.

Isso enfraquece os mandatos, e debilita o poder político tanto do eleito, quanto da oposição. Aqui já sabemos que a oposição do Freixo a Crivella vai ser fortíssima, mas a oposição da oposição (todas aquelas pessoas que não se sentiram representadas por nenhum dos dois), também.

O recado mais do que em relação à obrigatoriedade do voto, que não irá ser revisto tão cedo – a não ser que aconteçam fortes e significativas mudanças na educação em pouco tempo – é sobre o sistema político. Outro, que não irá ser revisto tão cedo.

3 Replies to “Elege-se o Não”

  1. Joana, é assim que nasce uma grande jornalista, cutucando e iluminando com sábias palavras a mente dos menos esclarecidos, eu por ex. cancelei meu voto nesse pleito municipal de 2016, mas em 2018, continuarei com o meu eterno candidato, o Sr. Miro Teixeira, que até o presente momento, em 3 votações para o Legislativo Federal, não me decepcionou. Agora, em relação ao Legislativo estadual, e ao Governador, não vislumbro alguém de nome, capacidade e virtude que seja merecedor do meu SAGRADO voto. Parabéns pelo blog joana, que pena que tão poucos o tenha acesso, mas é só o começo. E repito Joana, enquanto não acabarmos os crápulas, continuaremos a enxugar gelos. Até o próximo artigo, e que seja nessa linha, beijos!

  2. Em primeiro lugar , parabéns pelo teu trabalho na band. És muito segura no que fazes. Terás um futuro muito brilhante na profissão. Agora em relação a esse assunto, eu acho que o Brasil carece de um grande líder, uma pessoa que motive as outrasd s fsxer o que é certo em todos os sentidos, pois o brasileiro é muito inteligente e criativo, mas tem que que direcionar esses dons para o bem, aplicando com ética e moral na mesma proporção.
    Que DEUS nos ilumine e a ti também , que possas ser fonte de inspiração para que outros sigam o caminho do bem no nosso país e aí quem sabe poderemos ser fonte de inspiração para outros povos.

    felicidades e que Deus te abençoe hoje e sempre.

    um anônimo que trabalha pra Jesus.

  3. desculpe os erros gramaticais, pois não conferi a muinha digitação.
    tchau !

Deixe uma resposta