no interior do meu armário

uma semana fora de casa pode ser de partir o coração – implica ficar longe das minha melhores amigas, minha mãe e minha avó.

Vovó faz tudo por todos. eu, particularmente, sou mimada a cada dia. nesta semana ela reorganizou o meu armário e, para eu não me perder no novo labirinto de roupas, ela afixou um lembrete na porta especificando o que estava em cada gaveta.

orgulhosa, veio me mostrar assim que pisei em casa:

– Joaninha vem ver o teu armário! Agora nunca mais vamos perder nada.

(Vovó conjuga o verbo na terceira pessoa em solidariedade ao meu desespero de quando não encontro alguma peça)

cuecas, em Portugal, são usadas pelas meninas. no Brasil, o nome é outro – não vem ao caso.

Vovó já não acompanha mais tantas mudanças de expressões. é emigrante pela segunda vez! holandesa, foi para Portugal com 22 anos. por ela, nunca se adaptaria à língua portuguesa. quanto à variante brasileira, tem ainda mais aversão!

deixando a intimidade das roupas interiores de lado, na gaveta abaixo estão as “alsas” – o bolo agrega qualquer blusa de alcinha.

para não pensarem que mutilo minhas roupas, a subdivisão “t-shirts cortadas” agrupa qualquer blusa de formato moderno-duvidoso.

em outro armário, os pyjamas. o I e o Y não têm muita diferença, podem ser usados da forma que visualmente ficarem melhor casados com a letra vizinha. acho justo, a fonética, pelo menos para ela, é a mesma.

cascois, nós usamos no inverno, por isso podem ficar bem pertinho das roupas guardadas… e quanto a essas, nada a falar da escrita. a deturpação é do significado mesmo: nesta gaveta ficaram todas as roupas que ela não gosta de ver a neta usando.

o uso do português aqui em casa, é livre… das minhas roupas, nem tanto.

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